15 anos do CBH Piracicaba/MG
Postado em: Notícias
Por: CbhAdministrador202109 0 Comentário
A terra tem 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos de água; a parte de água doce corresponde a míseros 2,5% desse total; ocorre, porém, que 68,7% estão nos polos, em forma de geleiras, e 29,9%, em lençóis subterrâneos; os rios e lagos, de onde a humanidade retira quase toda a água que consome, só concentram 0,26% do total disponível.
Em 2015, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Piracicaba (CBH Piracicaba) completa 15 anos de atuação em favor da construção de políticas públicas voltadas para a preservação de nossos recursos hídricos. Foi um período de muito trabalho e de muitas conquistas, em que buscamos somar esforços aos mais diversos segmentos que lidam com o tema – usuários, prefeituras, sociedade civil e órgãos gestores do Estado e da União, em especial, o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM) e a Agência Nacional de Águas (ANA).
As leis federal (9.433/97) e estadual (13.199/99) e a do Fhidro (15.910/05) nos garantiram instrumentos como: 1) Plano Estadual de Recursos Hídricos; 2) Planos Diretores (PARH e PIRH) de toda a Bacia do Rio Doce e seus Afluentes; 3) Sistema Estadual de Informações sobre os Recursos Hídricos; 4) Enquadramento dos Corpos de Água em classes, segundo seus usos preponderantes; 5) Outorgas dos direitos de uso de recursos hídricos; 6) Cadastro de usuários e cobrança pelo uso dos recursos hídricos; 7) Compensação aos municípios pela exploração e restrição de uso de recursos hídricos; 8) Rateio de custos das obras de uso múltiplo de interesse comum ou coletivo.
A implantação e o funcionamento destes instrumentos exigiram de nós diplomacia para administrar os conflitos surgidos no percurso e muita disposição para trabalhar de forma solidária e cidadã, sempre com a preocupação de buscar o bem comum, a preservação e o manejo correto de nossos recursos naturais. Além, naturalmente, de disciplina e perseverança para alcançarmos resultados como o nosso Plano de Gestão (PAP).
As deficiências relacionadas ao saneamento básico em nossas comunidades (urbanas e rurais) e a descarga diária de esgoto em nossos córregos e rios nos colocam em alerta. No Brasil, despeja-se anualmente mais de 800 milhões de litros de esgoto nos cursos d’água. E cada litro de sujeira inutiliza 10 litros d’água.
A humanidade sempre tratou a água como um bem inesgotável. Daí resulta o fato de metade dos mananciais do planeta estar ameaçada pela poluição e pelo assoreamento. Por outro lado, estamos descobrindo da pior forma possível que nossos recursos hídricos são cada vez mais escassos, o que nos leva a concluir que faltará água num futuro próximo.
Além de ter como meta a elaboração de planos municipais de saneamento básico em todos os municípios da bacia, buscamos conscientizar os agentes públicos e os cidadãos sobre a necessidade de recuperar nossas nascentes e mananciais. Nesse sentido, a reeducação de nossos costumes em relação à água é muito importante. Não somos a caixa d’água do Brasil e temos que combater o desperdício.
Também é nosso propósito investir em ações voltadas à recuperação e preservação das nossas matas e nascentes, por meio do “Programa Produtor de Água”, previsto no Plano Integrado de Recursos Hídricos (PIRH Doce), que consiste em remunerar os produtores rurais por ações relacionadas ao uso e conservação do solo e por melhorias das condições ambientais das propriedades. A expectativa é que, em longo prazo, este conjunto de iniciativas resulte em maior quantidade e melhor qualidade das águas para o abastecimento da região.
Esperamos ainda que a falta de chuvas faça aumentar o compromisso por parte dos gestores municipais, estaduais e federal. É necessário planejar e, mais do que isso, não contingenciar recursos, para que o funcionamento dos Comitês e das Agências Delegatárias não fique comprometido.
Temos tudo para resolver o problema da escassez. Se cuidarmos das nascentes e combatermos o desperdício, não faltará água agora e muito menos no futuro. Antes, porém, devemos construir um modelo responsável, que envolva todos os segmentos e cidadãos. Para isso, precisamos de Comitês de Bacia que atuem com transparência, com a participação da sociedade, de forma democrática, para fazer avançar a política de recursos hídricos.
Parabéns a todos aqueles que tomaram parte neste esforço conjunto. Sigamos adiante.
“Águas são muitas, infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem”.
Pero Vaz de Caminha – 1º de maio de 1500
Iusifith Chafith Felipe
Presidente do CBH Piracicaba / Vice-presidente do CBH Doce
17 de fevereiro de 2015
João Monlevade (MG)





Nenhum comentário
No comments yet.
RSS feed for comments on this post.
Sorry, the comment form is closed at this time.