Escassez hídrica em Nova Era/MG compromete abastecimento de água na região


27 set/2016

Emater-MG estima que, se as chuvas não aparecerem logo, esse será o pior ano na região

Nos últimos dias, a régua da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), que mede o nível do Rio Piracicaba, chegou aos 30 cm em Nova Era, na região central de Minas Gerais. De acordo com a Emater, 2015 foi um dos piores para a região e o rio chegou a 27 cm.

O extensionista agropecuário, e também membro da diretoria do Comitê da Bacia Hidrográfica (CBH) do Rio Piracicaba, Vinicius Perdigão, informou que o Rio Piracicaba é o principal recurso hídrico da região. “A falta de chuvas está diminuindo as águas nas nascentes, nos córregos, rios e afluentes. O Piracicaba é um reflexo disso”, comenta.

Outro agravante para a situação é a grande incidência de queimadas: “A região que sofre com a queimada tem dificuldade de absorção de água pelo solo, o que deixa mais complicado o abastecimento dos lençóis freáticos”. Isso, aliado ao aquecimento global, que tem deixado as chuvas na região desreguladas, está complicando a chegada de água no rio e dificultando a elevação do seu nível.

Segundo o extensionista, a estiagem está gerando reflexos na região, o que levou a população a cavar mais poços para garantir o abastecimento. “Duas propriedades rurais nos acionaram, nesta semana, por estarem sem água e isso nunca tinha acontecido. A falta de chuva está levando a população a procurar outra forma de garantir o recurso hídrico”, disse.

Para Perdigão, é “preciso trabalhar mais com as Áreas de Preservação Permanente (APPs) para garantir o abastecimento dos lençóis freáticos”. Pensando nisso, o CBH-Piracicaba abriu o Edital de Chamamento Público para os 21 municípios da bacia manifestarem interesse em participar dos Programas de Controle das Atividades Geradoras de Sedimentos (P12), de Recomposição de APPs e Nascentes (P52) e Programa de Expansão do Saneamento Rural (P42).

Os programas abrangem ações de planejamento, diagnóstico, projeto e execução de atividades como: construção de barraginhas, realização do Cadastro Ambiental Rural (CAR), cercamento de nascentes, instalação de estruturas para tratamento de esgoto, entre outros. O investimento previsto para esses Programas nos próximo 5 anos é de aproximadamente R$ 45 milhões.

Além disso, o Comitê já investiu em torno de R$ 4 milhões na elaboração dos Planos Municipais de Saneamento Básico (PMSB) de 14 municípios da bacia e vai investir mais cerca de R$ 150 mil para o PMSB do município de São Gonçalo do Rio Abaixo, para que todos os municípios da bacia possuam um planejamento adequado dos serviços de saneamento básico.


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